lunes, 25 de noviembre de 2013

Aplica-se o TAC ao estudo arqueológico de cerâmicas (Burgos)



José Pichel Andrés/DICYT

A Tomografia Axial Computadorizada (TAC) é uma técnica de imagem normalmente utilizada para realizar diagnósticos médicos. Contudo, o Laboratório de Evolução Humana (LEH) da Universidade de Burgos conta com um TAC para a pesquisa científica, o primeiro não hospitalar existente na Espanha. Os pesquisadores o utilizavam para analisar os fósseis de Atapuerca, mas agora iniciaram uma nova linha de pesquisa arqueológica para o estudo de cerâmicas. Este trabalho foi apresentado hoje nas ‘III Jornadas de Jovens Pesquisadores do Vale do Douro: Do Paleolítico à Antiguidade Tardia’, realizadas na Faculdade de Geografia e História da Universidade de Salamanca.
 Marta Francés Negro, pesquisadora do LEH, explicou à DiCYT que o TAC de seu laboratório está sendo utilizado principalmente no campo da antropologia para o estudo dos fósseis da Sima de los Huesos, uma das jazidas mais importantes de Atapuerca, mas no seu caso “é um estudo arqueológico que permite estudar as peças sem destruí-las nem modifica-las”.
As pastas cerâmicas estudadas há apenas três meses procedem de outra jazida da Serra de Atapuerca, o Portalón de Cueva Mayor, em que existem restos de assentamentos humanos da Pré-história recente, como a Idade do Bronze e o Calcolítico, épocas às que pertencem os materiais analisados neste estudo.

Vantagens tecnológicas

Geralmente, no estudo das cerâmicas sem intervenção “somente pode-se saber qual é a tipologia”. Quando se realizam cortes em forma de lâminas finas para sua análise em laboratório corre-se o risco de que o corte escolhido não seja representativo. Por outro lado, o TAC permite estudar peças completas, “todo o interior”, chegando às “zonas que não são visíveis e que teriam que ser destruídas para analisar”. Isto torna possível saber quais são os componentes das cerâmicas e inferir quais eram as características de todo o conjunto.
 A técnica também permite analisar inclusões que não deixam restos, por exemplo, vegetais que em muitos casos são queimados durante o cozimento da própria cerâmica. “Pensamos que no futuro, dependendo do tamanho e da forma, podemos deduzir o tipo de material de uma inclusão e saber quando se trata, por exemplo, de uma semente”, indica Marta Francés, uma informação muito valiosa para os arqueólogos.
 O TAC também começou a ser utilizado na geologia para estudar estalactites e estalagmites. Assim como no caso da arqueologia, um programa informático permite dar sentido às imagens e reconstruir virtualmente as peças. “Esperamos poder avançar neste estudo o suficiente para pesquisar materiais de certa importância que não possam ser alterados”, afirma Marta Francés.

Várias sessões

Além desta pesquisa, a primeira jornada deste encontro de jovens arqueólogos organizado pela Associação Científico-Cultural Zamora Protohistórica incluiu diversas sessões. Uma delas foi dedicada ao Paleolítico, com apresentações da jazida de Siega Verde (Salamanca), da caverna de La Griega e do Abrigo del Molino (Segovia). Na sessão do Neolítico e do Calcolítico foram apresentadas pesquisas sobre as condições de vida durante a Pré-história em Atapuerca e estudos funerários no Alto Duero. A parte do programa dedicada à Idade do Bronze inclui trabalhos sobre enterros infantis, cerâmicas de Numancia, petroglifos da Maragatería, aproveitamento animal e arte esquemática de Zamora e Salamanca. Do mesmo modo, os participantes disfrutaram de uma visita ao Cerro de San Vicente, origem da capital de Salamanca.
 

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