sábado, 15 de septiembre de 2012

Castelo dos Mouros (Vilarinho dos Galegos, Portugal)


O Castro de Vilarinho dos Galegos ergue-se no topo de um esporão, formado por enormes afloramentos graníticos, situado na bordadura oriental do planalto mirandês, sobre o rio Douro e na margem direita da ribeira de Vilarinho dos Galegos.
Situa-se no monte denominado de Castelo dos Mouros, freguesia de Vilarinho dos Galegos, concelho de Mogadouro e distrito de Bragança.
O Noroeste Peninsular é caracterizado, durante a Idade do Ferro, por um tipo particular de povoamento, ou seja, por povoados fortificados em posições elevadas, geralmente denominados de castros. Esta designação levou a denominar este tipo de povoamento de “Cultura Castreja”.
A nível cronológico, os vestígios arqueológicos, de acordo com alguns autores, têm periodizado a emergência deste tipo de povoamento no final da Idade do Bronze, inserindo-se no grande período histórico da Proto-História. No entanto e segundo alguns autores, este tipo de povoamento terá conhecido o seu período áureo no decorrer da Idade do Ferro (inícios do século VI a.C. até ao começo da romanização) e em muitos casos a sua ocupação prolongou-se durante o domínio romano da Península Ibérica.
O território do Nordeste transmontano, delimitado pelas Serras de Bornes, Nogueira e Coroa, foi habitado pelo povo denominado Zoela pelos autores clássicos, zona onde se insere o Castro de Vilarinho dos Galegos.
A ocupação do Castro de Vilarinho dos Galegos terá ocorrido durante a Idade do Ferro e prolongou-se durante o domínio romano. Os vestígios arqueológicos que surgem à superfície, nomeadamente cerâmica da Idade do Ferro e de época romana, colocam a hipótese da ocupação deste povoado fortificado ter sido iniciada no século II a.C. e ter-se mantido no decorrer dos séculos II/V d.C.
A particular implantação topográfica do Castro de Vilarinho dos Galegos proporciona-lhe uma barreira natural de defesa.
Os povos da época procuravam estabelecer os seus povoados em plataformas de média e/ou elevada altitude, em montes escarpados de vertentes íngremes e perto de recursos hídricos. No entanto, podemos destacar a localização do Castro de Vilarinho dos Galegos, pois este insere-se num conjunto de povoados fortificados (Castros) que se dispõe ao longo do Douro, em arribas que caem a pique sobre o fundo do seu vale.
O relevo do terreno onde se instala o Castro de Vilarinho dos Galegos permite a implantação deste tipo peculiar de habitat, pois apresenta as características geográficas fundamentais para a construção destes povoados fortificados.
Aliada a estas condições naturais de defesa, a grande maioria destes povoados possuía linhas de defesa artificiais, muralhas pétreas que geralmente eram dispostas concentricamente.
O Castro de Vilarinho dos Galegos conserva na parte superior do acesso um torreão circular, de onde arranca a linha de muralha do povoado e que se prolonga, pelo menos, ao longo do flanco Oeste.
Os povoados fortificados não possuem uma planta predefinida, antes procuravam adaptar-se às condições geográficas do terreno. Por este motivo, a construção das estruturas defensivas, assim como das habitações e dos arruamentos que as serviam, não obedecia a um programa de ordenamento urbano predefinido, mas sim a um programa idealizado que posteriormente era adaptado à morfologia do terreno.
O Castro de Vilarinho dos Galegos conserva, também, um campo de pedras fincadas, que ocupa o istmo em frente ao fosso escavado na rocha. A construção destas estruturas demonstra a necessidade de proteger o colo do esporão (a Noroeste) que era o acesso principal ao castro e consequentemente a área mais vulnerável.
A economia destes povos baseava-se na produção agro–silvo-pastoril, com a exploração dos recursos naturais que a floresta e solos agrícolas da área circundante podia proporcionar. Esta economia podia ser complementada com a exploração mineira. A nossa região é rica em metais, existindo evidências arqueológicas de exploração de ouro, prata e estanho. Esta exploração podia ter como finalidade a produção de ourivesaria (colares, anéis, pulseiras, fios e outros adornos). O estanho era importante para o fabrico do Bronze, sendo este usado no fabrico de diferentes tipos de utensílios, nomeadamente no armamento.
A exploração do ouro intensificou-se com o domínio romano em toda a Hispânia, tornando-se num dos motivos da contínua ocupação destes povoados fortificados.
A produção de cerâmica era importante para o quotidiano destes povos, para o fabrico de cerâmicas de uso doméstico como pratos, potes, tigelas, jarros, etc.
Com a realização de escavações arqueológicas vão surgindo vestígios arqueológicos que podem ser constituídos por fragmentos de cerâmica, peças metálicas, elementos de ourivesaria, entre outros materiais, que podem provar a existência de intercâmbios entre os povoados, enquanto elementos de relacionamento económico e social entre as várias comunidades, que assim trocavam produtos e ideias. Este intercâmbio pode justificar a semelhança que se verifica na tipologia de construção destes povoados fortificados.
Para manter o equilíbrio social, e de acordo com alguns autores, estes povoados detinham uma figura central, o chefe (princeps) que coordena a actividade social e económica. Esta figura de poder podia ser apoiada por um conselho, ou por uma classe dirigente (aristocracia militar).
No caso do castro de Vilarinho dos Galegos este por ter sido habitado pelos Zoelas, tendo conhecido um modelo de organização social baseado nas “linhagens”, aliado com acordos de hospitalidade entre os diversos povoados. Estes acordos permitiam o relacionamento entre os membros de cada comunidade.
A Arqueologia tem fornecido dados que comprovam a existência destas diferenças sociais, através das escavações arqueológicas nas necrópoles destes povoados. Em alguns túmulos foram recolhidos artefactos de prestígio que denotam a diferenciação na posição social do indivíduo.

Emanuel Campos, Arqueólogo Municipal de Mogadouro.

Bibliografia
LEMOS, Francisco Sande: O Povoamento Romano de Trás-os-Montes Oriental, Universidade do Minho. Braga, 1993.
SILVA; Armando Coelho Ferreira da: A Cultura Castreja no Noroeste de Portugal, Museu Arqueológico da Citânia de Sanfins, Paços de Ferreira, 1986.
 
http://mogadouro.pt/arqueologia-e-patrimonio-mogadouro/294-castro-de-vilarinho-dos-galegos

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