sábado, 16 de abril de 2011

Foz Côa (Portugal) y Siega Verde (Salamanca)



Em 1988 foi identificada a estação rupestre de Siega Verde, considerada recentemente como Patrimonio da Humanidade como extenção do Vale do Côa. O conjunto de arte paleolítica de Siega Verde (Salamanca, Espanha), distribuido por 91 rochas gravadas, localiza-se para montante e jusante da chamada ponte de União sobre o rio Águeda, também afluente do Douro. A jazida tem uma extenção aproximada de 1 km, situando –se todas as gravuras, á excepção de uma, na margem esquerda do Águeda.
As cronologías da arte paleolítica do Côa e Siega Verde alongam-se pela segunda metade do Paleolítico superior, sensiblemente entre 25.000 até 10.000 antes do presente. Para além dos paralelismos estilísticos com a arte melhor datada em grutas e abrigos, o sitio chave para uma atribução cronológica mais segura é-nos ofrecido pelas escavaçoes do Fariseu (Vale do Côa), onde um painel ricamente gravado estava parcialmente tapado por sedimentos con industrias e materiais ali deixados entre eles dezenas de placas de xisto gravadas por incisão e ossos de animais caçados e consumidos no local o num importante testemunho de conservação à escala europeia. A dataçao mais antiga ali obtida em conexão com as gravuras, de 18.400 BP, é uma data posterior á gravação do painel, demostrando –se assim que as gravuras obtidas por picotagem profundo são as mais antigas da arte do Côa. As gravuras mis recentes, pertenecentes ao segundo período cronológico (Magdaleniense), são quase todas obtidas por incisão simples ou múltipla.
Siega Verde está localizada num corredor natural que permite a passagem para a Meseta Ibérica- esta via era certamente utilizada pelos grandes herbívoros e consequentemente por estas cominidades de caçadores – recolectores.
A primeira tentativa de explicação, ainda no séc. XIX, defendía que as representações paleolíticas terian sido motivadas apenas pelo prazer estético que proporcionariam aos artistas primitivos, tese rapidamente abandonada. Já na passagem desse século para o seguinte, impõem-se as interpretações baseadas no totemismo (uma arte religiosa) e na magia simpática (ou magia propiciatoria de boas caçadas), baseadas na comparação formal e estilística entre a arte paleolítica e a dos povos primitivos actuais. Nos anos 50 e 60 do século passado, André Leroi – Gourham e Annete Laming – Emperaire, na sequência dos trábalos pioneros de Max Raphäel, rejeitando as comparações etnográficas feitas sem o devido distanciamento vão colocar a ênfase interpretativa no carácter ordenado e estruturado das representações, defendendo uma visão estructuralista das grutas decoradas, onde a distribução das figurações não seria meramente casual, obedecendo a um program previamente codificado. Já nos anos 80 desenvolve-se a idei, já antes também defendida por Leroi – Gourham, de estarmos perante uma arte de marcação e afirmação territorial. Mais recentemente David Lewis – Williams e Jean Clottes têm defendido uma teoria global baseada no xamanismo, pretendendo-se que as figuras rupestres seriam uma expressão gráfica das visões de xamãs que entrando em transe, em especial por efeito de drogas alucinogénias, contactariam com os espiritos dos animais e dos entepassados.

Vale do Côa:
Parque Arqueológico e Museo do Côa
Email: visitas.pav@igespar.pt
Web: www.igespar.pt


Siega Verde:

Zona arqueológica y Centro de interpretación

Email: visitas@siegaverde.es
Web: www.siegaverde.es

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